{"id":1159,"date":"2015-09-18T17:45:03","date_gmt":"2015-09-18T21:45:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.law.harvard.edu\/jezler\/?p=1159"},"modified":"2015-10-10T17:49:27","modified_gmt":"2015-10-10T21:49:27","slug":"bc-quer-barrar-uso-de-r-91-bi-em-depositos-judiciais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/2015\/09\/18\/bc-quer-barrar-uso-de-r-91-bi-em-depositos-judiciais\/","title":{"rendered":"BC quer barrar uso de R$ 91 bi em dep\u00f3sitos judiciais"},"content":{"rendered":"<p><em>finalmente uma voz de racionalidade (BACEN) com rela\u00e7\u00e3o ao <b>absurdo <\/b>da utiliza\u00e7\u00e3o dos depositos judiciais para outras finalidades (precat\u00f3rios e <b>mais provavelmente<\/b> para gastos correntes!); isto vai gerar uma grande crise l\u00e1 para a frente&#8230;<\/em><!--more--><\/p>\n<p>O Banco Central (BC) vai investir contra leis aprovadas por Estados que criaram uma disputa de R$ 91 bilh\u00f5es pelos dep\u00f3sitos judiciais em poder dos bancos p\u00fablicos federais.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, v\u00e1rias assembleias legislativas aprovaram normas permitindo que governos locais se apropriem de valores depositados em fundos na Justi\u00e7a para pagar d\u00e9bitos e fazer investimentos. Esses dep\u00f3sitos est\u00e3o em poder dos bancos oficiais, como Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal, e ficam resguardados \u00e0 espera da conclus\u00e3o de processos, quando, ent\u00e3o, s\u00e3o repassados \u00e0s empresas e pessoas f\u00edsicas ganhadoras de causas no Judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas os governos locais querem utiliz\u00e1-los para bancar suas d\u00edvidas, fazer caixa e at\u00e9 para desenvolver projetos sociais. Para tanto, aprovaram leis com as mais distintas destina\u00e7\u00f5es para os dep\u00f3sitos judiciais, que sairiam dos bancos federais e iriam para contas administradas pelos Estados.<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, por exemplo, h\u00e1 uma lei que permite o uso dos dep\u00f3sitos para pagar a Previd\u00eancia. Em Sergipe, o montante dos dep\u00f3sitos poder\u00e1 ser deslocado para &#8220;projetos de desenvolvimento social e econ\u00f4mico&#8221; do governo do Estado. No Rio de Janeiro, outra norma estabeleceu que os dep\u00f3sitos feitos no Banco do Brasil naquele Estado poder\u00e3o ser transferidos para o or\u00e7amento local e tamb\u00e9m para a &#8220;capitaliza\u00e7\u00e3o do Fundo \u00danico de Previd\u00eancia Social&#8221; estadual. No Rio Grande do Sul, o valor dos dep\u00f3sitos ser\u00e1 revertido para um &#8220;Fundo de Reaparelhamento do Poder Judici\u00e1rio&#8221; local. No Paran\u00e1, o dinheiro vai para um &#8220;Fundo de Reserva&#8221; do qual s\u00f3 poder\u00e1 ser devolvido para ressarcir os ganhadores de causas na Justi\u00e7a tr\u00eas dias ap\u00f3s ser requisitado. A Para\u00edba tamb\u00e9m criou um &#8220;Fundo de Reserva&#8221;, mas fixou outra inova\u00e7\u00e3o para os dep\u00f3sitos: o uso deles para financiar parcerias p\u00fablico-privadas (PPPs) e obras de infraestrutura.<\/p>\n<p>O procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, e a Associa\u00e7\u00e3o dos Magistrados Brasileiros (AMB) entraram com a\u00e7\u00f5es contra essas leis no Supremo Tribunal Federal (STF). O temor de ambos \u00e9 que, ao utilizar os dep\u00f3sitos, os Estados n\u00e3o tenham montante suficiente para ressarcir os credores, o que pode gerar uma crise na Justi\u00e7a. Milhares de pessoas e empresas que teriam dinheiro a receber decorrentes de senten\u00e7as judiciais ficariam na depend\u00eancia de repasses dos governos estaduais, que se encontram em dificuldades financeiras.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, o BC entrou com peti\u00e7\u00f5es em todas essas a\u00e7\u00f5es com uma alega\u00e7\u00e3o ainda mais alarmante: a de que a forma\u00e7\u00e3o de &#8220;um ambiente de d\u00favida e incertezas em torno dos dep\u00f3sitos&#8221; pode criar inseguran\u00e7a entre os credores desses valores &#8220;com efeitos nefastos para todo o Sistema Financeiro Nacional&#8221;. Em outras palavras, o risco, para o BC, pode atingir os bancos. Como fi\u00e9is deposit\u00e1rios desses valores, eles seriam chamados a pagar os credores. Mas, se os montantes forem transferidos aos Estados, os bancos teriam riscos legais, de liquidez, de solv\u00eancia dessas opera\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo de imagem.<\/p>\n<p>&#8220;De fato, o BC, por meio de sua Procuradoria-Geral, ingressou com pedido de admiss\u00e3o como &#8216;amicus curiae&#8217; (parte diretamente interessada ou &#8220;amigo&#8221; da Corte, na tradu\u00e7\u00e3o livre) em todas as a\u00e7\u00f5es diretas de constitucionalidade que questionam normas federais e estaduais sobre a destina\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos judiciais&#8221;, confirmou ao\u00a0<b>Valor\u00a0<\/b>o procurador-geral do BC, Isaac Sidney Menezes Ferreira.<\/p>\n<p>Segundo ele, a participa\u00e7\u00e3o do BC em todas as a\u00e7\u00f5es dos Estados &#8220;se justifica por ser o regulador e supervisor do Sistema Financeiro Nacional, em raz\u00e3o de sua miss\u00e3o institucional de zelar pelo bom funcionamento das institui\u00e7\u00f5es reguladas&#8221;. &#8220;Al\u00e9m disso, mostra-se relevante a atua\u00e7\u00e3o do regulador e supervisor banc\u00e1rio pela seguran\u00e7a jur\u00eddica dos depositantes e deposit\u00e1rios, que est\u00e1 intrinsecamente relacionada \u00e0 certeza do regular funcionamento das institui\u00e7\u00f5es financeiras, pois um ambiente de d\u00favidas e incertezas em torno dos dep\u00f3sitos &#8211; entre os quais, est\u00e3o inseridos os judiciais &#8211; pode gerar efeitos negativos&#8221;, completou Ferreira.<\/p>\n<p>A AMB ingressou ainda com uma a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica contra a Lei Complementar n\u00ba 151, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 5 de agosto, que abriu espa\u00e7o para os Estados utilizarem at\u00e9 70% dos valores dos dep\u00f3sitos nos processos judiciais em que s\u00e3o parte para outras destina\u00e7\u00f5es. &#8220;A AMB est\u00e1 defendendo a higidez das ordens judiciais com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 libera\u00e7\u00e3o imediata dos valores&#8221;, alegou Alberto Pavie, advogado da AMB. Segundo ele, se o STF acatar essa a\u00e7\u00e3o, os Estados n\u00e3o poder\u00e3o mais legislar para obter essas verbas. Mas ela ainda n\u00e3o foi julgada, pois a tend\u00eancia inicial \u00e9 a de o STF julgar todas as a\u00e7\u00f5es contra as leis estaduais em conjunto.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, o Supremo far\u00e1 uma audi\u00eancia p\u00fablica sobre o tema, que foi convocada pelo ministro Gilmar Mendes, relator da a\u00e7\u00e3o contra a lei do Rio de Janeiro. Ser\u00e3o ouvidos os procuradores dos Estados de S\u00e3o Paulo, Rio, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Cear\u00e1, Para\u00edba, Piau\u00ed, Bahia e do Distrito Federal, al\u00e9m de representantes dos bancos oficiais, da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban), de tribunais de contas, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deputados federais e senadores. Dependendo do resultado dos debates no STF, os Estados v\u00e3o saber se poder\u00e3o utilizar R$ 91 bilh\u00f5es para fazer caixa enquanto os processos n\u00e3o s\u00e3o julgados em definitivo pela Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>valor.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>finalmente uma voz de racionalidade (BACEN) com rela\u00e7\u00e3o ao absurdo da utiliza\u00e7\u00e3o dos depositos judiciais para outras finalidades (precat\u00f3rios e mais provavelmente para gastos correntes!); isto vai gerar uma grande crise l\u00e1 para a frente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1642,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"advanced_seo_description":"","jetpack_seo_html_title":"","jetpack_seo_noindex":false,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[18119,856,2640,5445,18111,5578,18110,4000],"tags":[],"class_list":["post-1159","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-depositos-judiciais","category-legislation","category-non-federal-precatorios","category-public-finances","category-seguranca-juridica","category-state-govt","category-stf","category-waldemarjezler"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pab9Mr-iH","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1642"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1159"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1160,"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1159\/revisions\/1160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/archive.blogs.harvard.edu\/jezler\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}